Como ser chamado(a) para uma entrevista? - Espaço da Carreira
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Como ser chamado(a) para uma entrevista?

duas pessoas sentadas conversando

Hoje, vamos conversar sobre como ser chamado(a) para uma entrevista. Assim, não são dicas para a sua participação nelas, mas possibilidades para facilitar que você seja chamado(a), considerando o seu momento profissional. Deixemos gravado “possibilidades”, pois a proposta deste texto é para que você, a partir dele, consiga visualizar o seu momento e descobrir as suas possibilidades.

Contudo, montei inicialmente 3 (três) artigos que representam 3 (três) momentos profissionais diferentes:

Para quem já fez consultoria de carreiras ou orientação profissional comigo, quando falo de inserção ou recolocação no mercado, primeiro auxilio o cliente em sua análise sobre o seu momento de vida e de carreira, depois as possibilidades que ele tem naquele momento e, por fim, as estratégias, fazendo a sua preparação para essa recolocação ou inserção. Contudo, o essencial, se eu pudesse responder essa pergunta central do artigo como se fosse uma regra (o que não é possível, porque cada pessoa tem um contexto), seria:

  • Autoconhecimento.
  • Foco e direcionamento.
  • Planejamento.
  • Ação

Esses 4 (quatro) itens vão servir para os 3 (três) artigos, mas eu tenho certeza de que eles, por si só, não conseguem responder à complexidade do seu momento. Falo isso porque não sei se você consegue perceber, mas sempre a busca é por respostas e respostas rápidas, quando na verdade, deveria ser por perguntas que façam sentido, que sejam contextualizadas ao momento que você está vivendo e que seja, inclusive, difícil de responder. Porque é nessa hora que você realmente consegue estar consigo mesmo, pensando em coisas que no dia-a-dia corrido, você não consegue, porque está no chamado “piloto automático”.

Vamos então ao momento 1!

MOMENTO 1: Você está no mercado de trabalho e quer mudar de empresa, mas para a mesma função.

Se você está nesse momento, você pode se considerar um ser privilegiado, porque sabemos que não se trata apenas de competência ou esforço pessoal, há vários outros elementos sociais, emocionais, políticos envolvidos, dentro e fora das instituições.

Sim, porque você está trabalhando e têm condições de, com calma, tendo seu salário no bolso todos os meses, fazer um planejamento financeiro, seja para desenvolver competências, habilidades ou até mesmo para escolher o momento certo dessa mudança, considerando a sua vida pessoal e tudo o que está envolvido nessa decisão.

Esse, sem dúvidas, é o melhor momento para a recolocação, pois você está bem emocionalmente (pelo menos no sentido da “segurança” de estar trabalhando), sua autoestima está boa, então nos processos seletivos, você consegue ter controle emocional e mais segurança. Isso porque você consegue escolher de forma mais livre!

Assim, a primeira coisa que é importante que você faça é trabalhar o seu autoconhecimento. Primeiro, você pode analisar as razões de você estar querendo mudar de empresa, pensando de modo mais amplo se é por questões circunstanciais (como naquele momento o seu ambiente de trabalho não estar bom, por algum acontecimento que pode ser duradouro ou passageiro). Você pode também analisar se é por questões institucionais (a empresa não dá possibilidade de crescimento, não existe meritocracia, cultura vai de encontro com os seus valores, por exemplo). Enfim, é pensar o quanto isso está influenciando a sua saúde física, emocional, a sua vida pessoal e a sua própria atuação no trabalho.

Depois dessa análise, se você decidiu por recolocar, agora é o momento de fazer uma autoanálise, dentro da empresa atual, considerando seus pontos fortes, pontos a melhorar. Se a empresa que você está tem a cultura de feedback, ótimo, você pode aproveitar aquele retorno do seu líder que você considera como construtivo. Se não tem, você vai precisar olhar para você mesmo de forma crítica, mas não auto punitiva. Cuidado com isso! Ser crítico é reconhecer o que você faz de bom, de diferente das outras pessoas e o que você percebe que pode ser melhor, pensando naquele contexto ou no que você deseja para ter mais qualidade de vida e profissional, ok?

Depois, você pode analisar o perfil de empresa atual, seja no sentido de cultura organizacional (é uma empresa de muitas cobranças, valoriza ou não as pessoas, é congruente com o que fala para os funcionários) ou seja no sentido de atuação, tipo de negócio da instituição (é escola, é hospital, é indústria, é banco, é tribunal, por exemplo).

Isso é importante para que você possa fazer a pesquisa das empresas que têm a função que você atua hoje e quer continuar atuando, contudo, considerando também a empresa. Como fazer essa pesquisa? O Linkedin é uma excelente ferramenta para isso. Aproveitar colegas, conhecidos, ex chefes, professores que você teve, plataformas como o Love Mondays, dentre outros. Mas cuidado! Vá aos poucos estabelecendo a relação, assim como deve ser no real, no virtual é mais importante ainda. As pessoas não conseguem te conhecer do dia para a noite. Ser assertivo sim, objetivo sim, mas invasivo e não respeitar o espaço do outro, não! Teremos artigos sobre isso também!

A próxima etapa é analisar os requisitos exigidos por essas empresas para essas vagas. Para isso, é bom pesquisar onde as empresas divulgam suas vagas (será no site, via LinkedIn, via Indeed, via Sine, grupos de WhatsApp, empresas especializadas em recrutamento de profissionais?). Geralmente, nessa divulgação, você terá acesso ao que é solicitado para aquela vaga. É fazer uma análise mesmo do que as vagas exigem e do que você já tem e o que precisa desenvolver.

Agora, entra em cena o foco e o direcionamento que, para mim, são palavras-chaves nesse processo. Hoje, não é mais assertivo você escrever um currículo de 5 (cinco) páginas, falando tudo (e ao mesmo tempo nada) sobre você (também teremos artigo sobre isso). O que você pode fazer nesse caso é um currículo direcionado para a vaga, pegando as experiências, cursos, habilidades que têm relação com a vaga ou que podem ser consideradas transversais para ela (experiências de liderança, mesmo que não formais, se a vaga exige perfil de liderança, por exemplo).

Não é assertivo ficar enviando currículos aleatórios sem um controle mínimo de onde você cadastra, de que vaga é ou, muito menos, ficar adicionando as pessoas no LinkedIn e distribuindo seu currículo para desconhecidos pedindo indicações. Pense comigo: você indicaria, de verdade, colocando o seu nome, uma pessoa que acabou de te adicionar no LinkedIn, que você não tem nenhuma referência, não conhece? Cuidado! Isso atrapalha demais!

No caso da entrevista, foco e direcionamento também. Ou seja, falar o que está sendo perguntado, objetivamente e trazendo para quem está te entrevistando o que você tem daquilo que a empresa necessita. Você pode me perguntar “Josi, então eu vou decorar um discurso é?” Não! A etapa de autoconhecimento é exatamente para te ajudar a participar de processos seletivos que façam sentido para você! Que você possa ser você mesmo e, que sendo você mesmo, haja um encontro real entre o que a empresa procura e o que você deseja.

Feito isso, planejar e agir. Quando você se conhece nesse sentido que estou falando (até porque ninguém se conhece 100%, mudamos o tempo todo até o final da vida), facilita para que você planeje o momento de envio dos currículos, quem contatar, ou seja, como reascender as suas redes. É super importante que você mantenha suas redes de contato aquecida mesmo quando está tudo bem, porque as pessoas vão te conhecendo e acontece um vínculo verdadeiro e não um vínculo líquido (usando o termo do Bauman, dos seus livros sobre o Amor Líquido, Pessoas como mercadorias).

“Josi, mas eu posso ligar ou mandar e-mail para saber se meu currículo foi triado ou colher feedback?” Sim! Se a empresa não deu um prazo, aguarde pelo menos 10 (dez) dias do envio do currículo ou do cadastro. Se ela deu um prazo, espere pelo menos uns 5 (cinco) dias para entrar em contato. Se você já enviou pelo menos duas vezes um e-mail e não obteve retorno, sabe aquela frase “o silêncio também fala”? Siga em frente, porque se você está realmente direcionando suas ações, você terá um retorno. Dependendo da especialização da função, o tempo médio hoje está entre 3 (três) e 9 (nove) meses. Já as funções que não exigem tanta experiência e requisitos tendem a demorar mais porque o número de currículos que os RHs recebem é muito alto. Literalmente, a Lei da Oferta e da Demanda.

Vamos à luta! Persistência! Esses exemplos que eu trouxe para esse momento profissional são apenas algumas possibilidades e nunca uma generalização, ou uma fórmula para que você termine de ler este texto e diga “se eu seguir, vou conseguir em 3 meses”. A ideia é que você consiga a partir da leitura, pensar dentro do seu contexto, das suas possibilidades, o que faz sentido ou não para você e, quem sabe, você após a leitura até consegue pensar em algo que eu nem falei aqui!

No próximo artigo, vou falar sobre o momento 2 “Você foi desligado(a) da empresa em que trabalhou durante muitos anos e agora busca uma recolocação profissional”.


Recapitulando

Nesse artigo, você aprendeu/revisou/reviu sobre:

  • Possibilidades e estratégias para ser chamado(a) para uma entrevista, direcionado ao momento profissional “Você está no mercado de trabalho e quer mudar de empresa, mas para a mesma função”;
  • Autoconhecimento, foco e direcionamento, planejamento e ação; Algumas orientações específicas para este momento que trabalhamos, com dicas de plataformas para cadastro de currículo, como usar o LinkedIn, construir vínculos verdadeiros e ativação das redes de contato.

Reflexões

Responda as perguntas abaixo, preferencialmente sozinho(a), de um modo concentrado(a), onde você possa se sentir consigo mesmo, sem influências externas:

  • Que outras possibilidades, além das que eu citei no texto, você consegue enxergar no seu momento profissional atual? Pode ser sincero(a) se a resposta for nenhuma também!
  • O que você acredita que precisa fazer amanhã (literalmente) para alcançar essa recolocação?
  • O que você acredita que pode fazer hoje para alcançar essa recolocação?

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Autora

Joseli Quaresma

Fundadora do Espaço da Carreira e Orientadora Profissional e de Carreira.