Fui demitido(a), como conseguir uma entrevista? - Espaço da Carreira
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Fui demitido(a), como conseguir uma entrevista?

pessoa refletindo olhando para o mar

Hoje, vamos conversar sobre como ser chamado(a) para uma entrevista após ter sido demitido(a). Assim, não são dicas para a sua participação nelas, mas possibilidades para facilitar que você seja chamado(a), considerando o seu momento profissional. Deixemos gravado “possibilidades”, pois a proposta deste texto é para que você, a partir dele, consiga visualizar o seu momento e descobrir as suas possibilidades.

Contudo, montei inicialmente 3 (três) artigos que representam 3 (três) momentos profissionais diferentes:

Hoje, conversaremos sobre esse momento 2. Se você que está lendo agora, não está em nenhum desses momentos, me envie um e-mail me dizendo em que momento você está e que gostaria que eu escrevesse a respeito.

No artigo do Momento Profissional 1, falei sobre 4 (quatro) itens que considero como essenciais para se conseguir um processo de recolocação. Você lembra quais são eles? Isso mesmo:

  • Autoconhecimento.
  • Foco e direcionamento.
  • Planejamento.
  • Ação.

Antes de olharmos um a um para esses itens, precisamos falar sobre esse momento profissional 2. Imagine uma pessoa que trabalhou mais de 10 anos, por exemplo, numa instituição (independente de ter tido dentro dela ascensão profissional ou não, horizontal ou vertical). O trabalho nos auxilia na construção da nossa identidade, da nossa alteridade (processo de relacionamento e construção com o outro), do nosso reconhecimento social, do pertencer a um grupo, da nossa autoestima. A atuação profissional tem impacto direto na nossa vida, não apenas pela questão financeira (que é essencial), mas na nossa saúde, na nossa forma de perceber e atuar no mundo e no sentido que damos à nossa vida. Assim, se uma pessoa trabalha 10 anos numa instituição (aqui é só um exemplo, mas pode ser menos tempo, porque não é a quantidade de tempo, mas a qualidade da doação desse tempo) e, de forma inesperada, é demitida, imagine como essa pessoa fica emocionalmente? Se ela tem filhos, família que depende financeiramente dela, dívidas, para muitas pessoas, a situação chega a ser desesperadora. Você conhece alguém que passou ou passa por isso?

Após o início da recessão que ainda estamos vivendo, muita gente no país, com todos os níveis de qualificação, passa e vem passando por essa situação. E, mesmo quando essas pessoas estruturam um bom currículo, direcionado e começam a ser chamadas para as entrevistas, vem um outro ponto que é essencial nesse momento e que elas, devido a tudo o que vêm vivendo, terminam se prejudicando: o controle emocional. Você pode me dizer, “Mas Josi, como as empresas podem cobrar esse controle emocional para uma pessoa que está vivendo isso? O próprio processo seletivo já é avaliativo, já traz um certo nervosismo, imagina essa pessoa que depende dessa vaga para continuar a sua vida, pagar as suas contas, alimentar a sua família?”. Sim, é cruel falar isso, mas esse controle emocional precisa ser encontrado por essa pessoa, da forma que ela conseguir, porque não é todo perfil de empresa (infelizmente) que tem as áreas de Recursos Humanos com um olhar humano e compreensivo sobre esse momento, afinal, é uma empresa, quer lucro, produtividade no final das contas.

Tudo isso que estou falando faz parte de um processo de luto dessa pessoa! Sim, a pessoa que foi demitida passa por esse processo, considerando o luto como uma perda, nesse caso, a perda do emprego. Assim, ela poderá sentir muita raiva, após isso ocorrer, poderá negar o ocorrido (dizendo-se feliz, por exemplo com o que aconteceu e expressando para todos o que não está sentindo). Poderá sentir-se totalmente vítima durante um bom tempo e não conseguir caminhar, seguir em frente, poderá ter muita tristeza em relação a isso, duvidar de sua capacidade, ficar sem chão até mesmo se questionando: “Quem sou eu agora? Se eu era fulano ou fulana de tal lugar?”.

Todas essas fases precisam ser vivenciadas por quem passa por isso, para que a pessoa possa ir, aos poucos, encontrando um novo sentido, novas possibilidades como ser humano e profissional. Infelizmente, com as mudanças do mundo do trabalho e as demissões em massa, temos visto muitas empresas adoecidas, onde a pessoa ali se encontra apenas por sua necessidade, mas onde o ambiente não é bom, a pressão é extremamente alta, muitas vezes acima da sua capacidade de lidar e umas trabalham muito mais do que as outras. A nova organização do trabalho tem trazido, como diz Dejours (2004, p. 34), “a erosão do lugar acordado à subjetividade e à vida no trabalho”. Isso vai acontecendo aos poucos nas instituições e com a pessoa que foi demitida é como se ela não conseguisse nem se vir mais como pessoa.

Cada pessoa lida de forma diferente com as situações de perda. Contudo, falar de alguns desses aspectos é importante para podermos compreender o que significa o Autoconhecimento nesse contexto. Mesmo que seja difícil, a primeira coisa é reconhecer em si o que está sentindo em relação a tudo isso e assumir esse sentimento, para que a partir daí novos sentimentos possam ser capazes de serem enxergados. Analisar a sua história na instituição, reconhecer tudo o que fez (e também o que não fez, seja pela razão que for), é importante para a autoestima, é uma forma de se perceber como ser humano, que tem acertos e erros, vitórias e derrotas e de conseguir lidar com a frustração de ter sido demitido(a).

Também pensar sobre que tipo de instituição, de cultura de empresas que você deseja estar agora. Isso se a recolocação for a possibilidade que você realmente deseja. Nesse momento, você pode descobrir várias outras possibilidades: empreender, fazer concurso, ser autônomo, mudar do país, de cidade, de região, enfim, infinitas possibilidades. Mas você só vai conseguir definir qual é a sua possibilidade, se você se oportunizar parar para pensar sobre isso, falar sobre isso e se escutar, analisando o seu momento, o que você pode fazer e confiando em você.

Feito isso, você conseguiu definir qual é a sua estratégia, se for recolocar, agora é a hora de pesquisar o mercado, reativar as redes. Sempre falo que as redes de contato precisam ser criadas e mantidas. Como você se sente quando alguém só te procura quando está precisando? Ao mesmo tempo, ter a humildade de pedir algo a alguém que você já conhece, que tem uma relação e nível de confiança é essencial. Já ouviu aquela frase “o não você já tem”? Pesquisar o mercado é você literalmente compreender a proposta das empresas, mesmo que seja pelo site ou ouvindo alguém conhecido, ou pelo LinkedIn. É analisar os requisitos da vaga, verificar o que você já tem de habilidades e conhecimentos para conseguir essa posição e o que você ainda precisa desenvolver, de modo que você consiga se planejar financeiramente, no seu tempo e na sua vida para esse desenvolvimento.

Agora é o foco e o direcionamento. Aqui, repito o que falei no artigo no momento profissional 1. O seu currículo precisa ser escrito direcionado para a vaga. Um currículo para cada vaga! Cuidado, porque colocar os dez anos de atuação, com todos os cursos etc., pode também te deixar hiper qualificado para a vaga, acredita? Você precisa não ser o melhor para a vaga, mas o que efetivamente atende aos requisitos e diferenciais. O se conhecer e à sua realidade faz com que você selecione os perfis de vagas e empresas e que não fique enviando currículos para diversas empresas sem foco e sem o ajuste desse currículo.

Faça um controle dos envios, ou seja, saiba pelo menos qual é a vaga, para que empresa, quando e para quem você o enviou, assim, você pode posteriormente saber sobre o processo caso a empresa demore mais do que 10 (dez) dias para te responder, por exemplo (se ela não definiu um prazo para o recrutamento dos currículos). As entrevistas começarão a acontecer. Início de ano, por exemplo, tem muita empresa que recruta em Janeiro e só inicia as convocações após o carnaval, para não paralisar o processo. Então, fique atento, se você já está direcionando o currículo, muito em breve você começará a ser chamado e o meu desejo é que você possa escolher e faça uma lista na semana de processos seletivos!

Planejamento e ação por fim dizem respeito, nesse caso, às questões financeiras, as questões de qualificações que serão necessárias para que você chegue no objetivo. E não são apenas qualificações técnicas ou comportamentais, mas até mesmo de orientação de carreira. Uma pessoa que trabalhou durante muitos anos numa empresa deveria, mesmo estando tudo bem por lá, sempre analisar as vagas, estudar sobre currículo, conversar com outras pessoas sobre como estão sendo os processos seletivos, para não ficar desatualizada nessa perspectiva. A grande questão é que a maioria dessas pessoas não faz isso. Seja porque está tudo bem, seja porque não tem tempo mesmo, afinal já é muito corrido, tem a família etc., seja porque acha que, por já ter excelentes qualificações, será fácil recolocar se um dia for necessário. Pode até ser que seja fácil (é o que eu desejo para você que está passando por isso), mas você não pode depender disso, porque as mudanças hoje no mercado são uma constante.

Assim, persista, mas descobrindo o novo sentido para a sua vida e atuação profissional ou carreira após a demissão. Se permita falar sobre, expressar seus sentimentos com pessoas de confiança (e inclusive profissionais, se sozinho não estiver sendo mais possível). Seus processos seletivos serão muito mais assertivos o quão mais consciente da realidade organizacional e de quem você é e do que pode e não pode oferecer nesse momento. Peça sempre feedbacks para os “nãos” que receber. O “não” de não os ter você já tem! Os feedbacks são para te ajudar a perceber não apenas o que você precisa melhorar, mas eles podem também te fazer refletir se é isso mesmo que você quer e precisa, que você está disposto naquele momento. A vida e a carreira são suas, por mais que existam inúmeras pessoas que possam depender delas, mas elas são suas. Dentro das suas possibilidades, vá aos poucos assumindo a sua vida novamente, dentro de um sistema que já existe e que precisamos todos os dias encontrar formas diferentes e criativas de lidar com ele sem perder a saúde física e emocional.

Na próxima semana, conversaremos sobre o momento profissional 3: “Você é universitário(a) e deseja um estágio ou ser trainee em uma empresa?”. Aproveite e compartilhe o link do Espaço da Carreira para aquela pessoa que está nesse momento!

E se você não estiver em nenhum desses 3 (três) momentos e quiser que eu faça um artigo sobre o seu momento, basta me mandar um e-mail e compartilhar o momento.

E lembre-se: o artigo é para te ajudar a ter insights, a te fazer pensar sobre o seu momento. Nada do que foi falado aqui deve ser entendido como regra, apenas como possibilidades!


Recapitulando

Nesse artigo, você aprendeu/revisou/reviu sobre:

  • Possibilidades e estratégias para ser chamado(a) para uma entrevista, direcionado ao momento profissional “Você foi desligado(a) da empresa em que trabalhou durante muitos anos e agora busca uma recolocação profissional”;
  • Efeitos emocionais sobre a pessoa que foi desligada da empresa e o contexto do trabalho hoje;Autoconhecimento, foco e direcionamento, planejamento e ação;
  • Algumas orientações, considerações e estratégias específicas para este momento que trabalhamos

Reflexões

  • Que outras possibilidades, além das que eu citei no texto, você consegue enxergar no seu momento profissional atual? Pode ser sincero(a) se a resposta for nenhuma também!
  • O que você acredita que precisa fazer amanhã (literalmente) para alcançar esse seu novo objetivo profissional (seja ele o de recolocação ou não)? Escreva, desenhe, faça ao seu modo, de maneira que você consiga refletir sobre isso.
  • O que você acredita que pode fazer hoje para alcançar esse novo objetivo? Escreva, desenhe, faça ao seu modo, de maneira que você consiga refletir sobre isso.

Referência

  • DEJOURS, C. Subjetividade, trabalho e ação. Revista Produção, v. 14, n. 3, p. 27-34, 2004.

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Autora

Joseli Quaresma

Fundadora do Espaço da Carreira e Orientadora Profissional e de Carreira.