Você é universitário(a) e deseja um estágio ou ser trainee em uma empresa? - Espaço da Carreira
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Você é universitário(a) e deseja ser estagiário(a) ou trainee em uma empresa, o que fazer?

estudante segurando livros

Hoje, vamos conversar sobre como ser chamado(a) para uma entrevista. Assim, não são dicas para a sua participação nelas, mas possibilidades para facilitar que você seja chamado(a), considerando o seu momento profissional. Deixemos gravado “possibilidades”, pois a proposta deste texto é para que você, a partir dele, consiga visualizar o seu momento e descobrir as suas possibilidades.

Contudo, montei inicialmente 3 (três) artigos que representam 3 (três) momentos profissionais diferentes:

Hoje, conversaremos sobre esse momento 3. Se você que está lendo agora, não está em nenhum desses momentos, me envie um e-mail me dizendo em que momento você está e que gostaria que eu escrevesse a respeito.

No artigo do Momento Profissional 1, falei sobre 4 (quatro) itens que considero como essenciais para se conseguir um processo de recolocação. Você lembra quais são eles? Isso mesmo:

  • Autoconhecimento.
  • Foco e direcionamento.
  • Planejamento.
  • Ação.

Gostaria de começar esse artigo diferente, perguntando o que a universidade representa para você? Quando você entra na universidade, independente de você ter 17 ou 70 anos, de ser a primeira faculdade, de ser o segundo ou terceiro curso, um mundo novo se abre. São novas possibilidades, diferentes visões de mundo, novos e infinitos aprendizados acadêmicos e práticos e uma série de novas amizades surgem, sejam elas entre colegas ou com os professores e demais profissionais da instituição. Esse novo mundo representa para muitos os primeiros contatos com o mundo do trabalho, com profissionais, empresas. Esse pode ser a primeira rede de contatos para você universitário que deseja se inserir no mercado.

Ao mesmo tempo que existe a grande alegria deter entrado na universidade, há os seus percalços. Cada um dentro do seu contexto, sabe o que perde e o que ganha para estar ali e conseguir uma boa formação, que precisa ser feita em conjunto (não é a universidade em si que faz o aluno). Com o mercado cada vez mais competitivo, exigindo verdadeiros super heróis, quase não humanos, muitos jovens universitários adoecem, principalmente emocionalmente. É muita cobrança social e uma autocobrança como se ele precisasse ser perfeito para poder recompensar o esforço dos pais pela educação que lhe deu. Mas pessoas que estão em transição também sofrem com isso, num outro contexto, o de “não errar de novo”, como se a sua outra vivência fosse um erro, quando na verdade, essa outra vivência foi um passo para que a atual se concretizasse (ela ajudou a descobrir a nova possibilidade de carreira ou a te fazer perceber o que você gosta e não gosta e, principalmente, o que deseja para sua vida).

Assim, a primeira coisa que sugiro para o universitário em minhas orientações é que ele comece ali a fazer as suas redes de contato. Que a sala de aula seja o lugar em que você vai aprender, em que vai desenvolver as habilidades e comportamentos que são essenciais para que você se diferencie nesse mercado extremamente super lotado de gente. A forma como você se comporta na universidade, com os seus colegas, com os professores (principalmente na hora de negociar faltas, notas), desde a roupa que você usa até a forma que você fala, faz parte desse processo de construção de sua imagem profissional e dessa criação de networking.

Se você está no começo do curso, está-se programando para estagiar até o quarto período, por exemplo, a minha sugestão como alguém que foi e é universitária e, principalmente, como Especialista em Carreiras e Orientadora Profissional, é que aproveite tudo o que você puder que a universidade te oferecer. Você sabia que iniciação científica, projetos de extensão, trabalho voluntário, projetos práticos realizados em sala, onde competências técnicos e comportamentais foram desenvolvidas, são consideradas experiências profissionais? Hoje, você pode considerar essas experiências no currículo como profissionais, porém, como já falamos em direcionamento e foco, é importante que você coloque aquilo que tem relação com a vaga que almeja. Exemplo: você está concorrendo a uma vaga de trainee, que pede a Liderança como competência essencial a ser demonstrada na seleção. O trainee, em geral, não pede que você tenha tido experiência, às vezes é um diferencial. Digamos que você é líder na sua igreja, ou você faz um trabalho voluntário onde você lidera pessoas. Essa experiência pode ser colocada no currículo como profissional.

Participar de treinamentos comportamentais, de orientação de carreira (se a sua universidade oferece, melhor ainda), de palestras ou workshops que desenvolva competências chamadas de transversais à sua área de formação (liderança, gestão de pessoas, relacionamento interpessoal, segurança etc), também te faz experienciar para além dos muros da universidade. Isso é tão importante, principalmente hoje com a mudança dos próprios processos seletivos, onde se pretende aproveitar as habilidades técnico-científicas, comportamentais e socioemocionais que foram desenvolvidas por aquele curso. Isso significa que hoje um engenheiro químico, por exemplo, pode atuar como consultor de negócios e empregar em sua atuação profissional, muitas das competências desenvolvidas no seu curso. Assim, você entrar hoje no curso de Engenharia Civil, não significa dizer que você será engenheira civil para sempre, como ocorria na época dos nossos pais e avós. Algo essencial é você conversar com professores e outros profissionais da sua área de formação, para compreender as diferentes formas de atuação hoje.

O mercado é competitivo, é acirrado, porém eu ainda acredito como ser humano e profissional que se fôssemos mais humanos, mais empáticos e nos preocupássemos com quem está ao nosso lado, tudo seria diferente. E o sucesso? Sucesso é o que você compreende como tendo sentido para você! Para uns pode ser passar num programa de estágio de uma multinacional, para outros pode ser ser trainee numa grande empresa, para outros pode ser passar num concurso público antes de formar, para outros pode ser ensinar e compartilhar com os outros conhecimentos científicos, para outros pode ser o que a vida lhe trouxer.

Assim, qual o sentido de você passar por tudo o que tem passado, desde que resolveu entrar na faculdade? O que você realmente deseja para além de sucesso, dinheiro, status? O que é o trabalho para você? Todas essas perguntas podem te ajudar a perceber o momento em que você está, o que você deseja e compreender por que muitas vezes você pode não estar conseguindo passar num processo seletivo. Como você vai ser assertivo e direcionar o seu currículo sem ter ideia do que pretende num futuro próximo? Como vai conseguir se sair bem numa entrevista se você precisa falar frases prontas porque não era exatamente ali que você gostaria de estar sendo entrevistado? Você quer ser trainee porque esse é um desejo seu, porque aquela atividade faz sentido para você, porque ela pode levar à sociedade algo diferente, ou porque todos da sua turma e todos da universidade dizem que ser trainee é o melhor para você ter sucesso profissional? ”Ahh, Josi, eu quero ser trainee ou estagiar numa grande empresa para aprender, para melhorar meu currículo, para sentir se é isso mesmo que eu quero, se eu dou conta dessa realidade”. Ou então, “ahhh Josi, eu preciso trabalhar, por isso quero o que aparecer”. Ou então, “Ahhh Josi, não dá para escolher sem ter vivido”.

Mesmo para você que está nessa situação acima, de precisar trabalhar para pagar a faculdade, para se sustentar ou sustentar a sua família, definir o que você deseja, foco e direcionamento podem te ajudar a conseguir mais rápido. Essa parte é semelhante ao que já escrevi nos outros textos. Mas no caso do universitário, tem uma diferença. Se você deseja estágio ou trainee, é importante que você deixe no objetivo do seu currículo Estágio/Trainee em (o nome do curso que você faz), porque assim você não reduz as possibilidades. Agora, se você já decidiu que quer estagiar numa dada área do seu curso, porque após conversar com diversos profissionais, professores, analisou e percebeu que o seu perfil é para uma dada área, então, invista e direcione seus cursos, palestras, workshops, tudo para essa área. Quando falo isso significa o que essa área demanda dos profissionais. Faça uma pesquisa de vagas e analise o que elas requerem, o que o perfil das empresas que você deseja estagiar ou ser trainee requerem e comece a desenvolver, dentro das suas possibilidades.

Ação! Cuidado universitários! Nada de ficar enviando currículo para tudo quanto é empresa e vaga. Tenha um foco e lembre-se sempre: UM CURRÍCULO PARA CADA VAGA! “Ahh Josi, mas e no LinkedIn e Vagas.com, vou ter que alterar toda vez?” Não! Nessas plataformas, você precisa deixar um pouco mais amplo, porém definir a função que você deseja, porque de novo, em outras palavras, lembrando da conversa do Gato e da Alice no País das Maravilhas “Se você não sabe a direção, qualquer caminho serve”. Dá trabalho montar um currículo para cada vaga, ler e reler o anúncio de recrutamento da vaga antes de reescrever o currículo, pesquisar sobre a empresa antes de ser chamado para a entrevista, mas aumenta em torno de 70% as suas chances de ser chamado para uma entrevista, segundo reportagem que saiu no site da Robert Half (2018).

Somos seres humanos e estamos cada dia mais conectados, mais tecnológicos, mais competitivos. A geração universitária que está se formando agora acompanhou um pouco dessa transição, ainda está aprendendo sobre as mudanças do mundo do trabalho, assim como quem está formando agora. Assim, o que posso recomendar a você é: busque meios de descobrir o que faz sentido para você e o que você pode fazer. De todos os pontos que falei, embora pareça clichê (porque todo mundo fala isso aí fora), o investimento no autoconhecimento e na sua saúde (física e mental) podem ser cruciais para você conseguir alcançar os seus objetivos. Isso, na minha perspectiva e pela minha experiência, começa na descoberta do que você tem como sentido para a sua vida e para o seu trabalho. Como dizia o Viktor Frankl, somos movidos pela busca do sentido, o ser humano busca sentido o tempo todo e ele precisa desse sentido para continuar sua caminhada.

Na próxima semana, conversaremos sobre o momento profissional 4. Sim, vou acrescentar outro momento profissional, em homenagem a uma pessoa que me escreveu um e-mail falando sobre o seu momento profissional. Como se recolocar no mercado se você é mulher, que ficou ausente da sua atuação profissional para cuidar de seu filho, fez um curso superior e quer voltar à ativa? Aproveite e compartilhe o link do Espaço da Carreira para aquela pessoa que também está nesse momento! E se você não estiver em nenhum desses 3 (três) momentos e quiser que eu faça um artigo sobre o seu momento, basta me mandar um e-mail e compartilhar o momento.

E lembre-se: o artigo é para te ajudar a ter insights, a te fazer pensar sobre o seu momento. Nada do que foi falado aqui deve ser entendido como regra, apenas como possibilidades!


Recapitulando

Nesse artigo, você aprendeu/revisou/reviu sobre:

  • Possibilidades e estratégias para ser chamado(a) para uma entrevista, direcionado ao momento profissional “Você é universitário e deseja estagiar ou ser trainee numa empresa”;
  • Efeitos emocionais sobre a vida universitária;
  • A importância de buscar se conhecer sempre e de encontrar um sentido para o seu trabalho;
  • Autoconhecimento, foco e direcionamento, planejamento e ação;
  • Algumas orientações, considerações e estratégias específicas para este momento que trabalhamos.

Reflexões

Responda as perguntas abaixo, preferencialmente sozinho(a), de um modo concentrado(a), onde você possa se sentir consigo mesmo, sem influências externas:

  • Qual o sentido que o trabalho tem na sua vida?
  • Na sua experiência, o que faz sentido para você? O que faz sentido para você permite que você tenha saúde?
  • O que você acredita que precisa fazer amanhã (literalmente) para conseguir o estágio que você procura ou o programa trainee que você deseja? Escreva, desenhe, faça ao seu modo, de maneira que você consiga refletir sobre isso.

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Autora

Joseli Quaresma

Fundadora do Espaço da Carreira e Orientadora Profissional e de Carreira.